Pesquisar este blog

sábado, 3 de março de 2012

Boletim Informativo: Aprovada a Lei de combate ao "Bullying", nas escolas do Estado do ES.


O Projeto de Lei nº 544/09, que define e regulamenta ações voltadas para o combate ao bullying nas escolas públicas e particulares do Espírito Santo, foi aprovado pelos deputados na sessão desta terça-feira (22), no plenário da Assembleia Legislativa.
O projeto de lei é de autoria do deputado César Colnago. Após a aprovação em plenário, o projeto será encaminhado ao Palácio Anchieta, onde aguardará pela sanção do governador Paulo Hartung.
Projeto O Projeto de Lei nº 544/09, define e regulamenta ações voltadas para o combate ao bullying.
Para debater o tema, foi realizada audiência pública, no último dia 09. Foram convidados: a promotora da Vara da Infância e da Juventude de João Pessoa, Paraíba, Soraya Scorel, instituições educacionais do estado, professores, pais e estudantes.
Bullying O termo bullying compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, executadas dentro de uma relação desigual de poder, que ocorrem sem motivação aparente.
São praticadas por um ou mais estudantes contra outro (ou outros), causando dor e angústia. As consequências podem ser desastrosas.
A vítima pode desenvolver baixa autoestima e, caso a situação não seja resolvida, pode até desenvolver fobias. Consequentemente, perde o interesse pela escola e há baixo rendimento escolar.
Conscientização
O projeto de “Combate ao Bullying” não se limita a proibir a prática do mesmo. Procura esclarecer a comunidade escolar sobre a abrangência do termo e conscientizar sobre medidas de prevenção, diagnose e combate.
Para tanto, prevê a capacitação do corpo docente, equipe pedagógica e funcionários da escola, visando à promoção de discussões, ações de orientação, prevenção e solução do problema.
Também prevê a orientação dos envolvidos em situação de bullying– os que praticam e as vítimas – “visando à recuperação da autoestima, do desenvolvimento psicossocial e da convivência harmônica no ambiente escolar e social”.
A idéia é envolver as famílias nesse processo. Ao poder público caberá a elaboração de políticas de conscientização, prevenção, diagnose e combate ao bullying, respeitando as medidas protetoras estabelecidas no Estatuto da Criança e do Adolescente.
SITE:  Fui incansável na divulgação e informação acerca do tema "Bullying". Escrevi artigos, que foram publicados em diversos sites .
O Twitter foi a mídia social que utilizei para a alcançar o meu objetivo que era a aprovação de uma Lei contra o Bullying no meu Estado.
O "Bullying" hoje já não é um nome desconhecido. Lembro que quando entrei no Twitter quase ninguém sabia o que era "Bullying" e hoje o tema é amplamente conhecido. Tenho na figura do Promotor de Minas Gerais, Lélio Calhau, um grande exemplo de como perseguir um ideal e ser vitorioso. A vitória nas causas sociais, dependem de idealistas, que são os grandes sonhadores e idealizadores de um mundo melhor, mesmo quando as adversidades dizem Não!.
A Promotora da Paraíba, Soraya Scorel, que tive a honra de conhecer na "Audiência Pública" realizada, onde foi palestrante e na qual fiz parte da mesa, é outro exemplo de perseverância. A primeira Lei Antibullying Estadual é do Estado da Paraíba. Ela faz um trabalho belíssimo naquele Estado.
O Ministério Público tem sido atuante e combatente contra a prática do "Bullying" nesses Estados.
Sonho em ver o Ministério Público do meu Estado(ES) fortemente atuante nessa grande batalha das "Palavras boas contra as palavras más" - Bullying
Rendo minha honra a esses dois guerreiros: Lelio Calhau e Soraya Escorel.
Continuemos sonhando... Estamos dando os primeiros passos para combater esse mal que tem feito muitas vítimas. Vamos continuar, pois a nossa meta é erradicar do nosso meio essa prática covarde.
AVANTE !!!  
Fonte: Kathia Mattos 

sexta-feira, 2 de março de 2012

‘Pensei que fosse caso de pedofilia’, diz mãe de aluna que sofreu bullying

A mãe registrou Boletim de Ocorrência (B.O) assim que a violação foi descoberta e a partir de então, seguindo a orientação dos representantes da Polícia Civil na cidade e do Núcleo de Combate aos Cibercrimes em Curitiba (Nuciber), passou a imprimir as mensagens postadas e a documentar quaisquer circunstâncias relacionadas ao bullying contra a adolescente. As ofensas ocorreram em 2010, quando a jovem tinha 13 anos.
Exigiu um amadurecimento, mas deixou sequelas"
mãe de jovem que sofreu bullying
As mensagens foram publicadas por um ano na internet e fizeram com que a garota virasse motivo de chacota no colégio, o que interferiu diretamente no comportamento e na saúde psicológica dela. Durante seis meses, segundo relatos da mãe, a adolescente chorava sem motivo e reclamava que não queria ir para a aula, mas nunca chegou a contar para os familiares o que estava ocorrendo.


“Até que começaram as crises de depressão e de pânico. Então, nós levamos ao neurologista e ao psicólogo e por dois anos ela utilizou medicação”, disse a mãe. O motivo só foi descoberto algum tempo depois.
A infração foi cometida por duas adolescentes que estudavam junto com a garota. A mãe contou que as meninas estavam se vangloriando do feito e uma terceira aluna ouviu e contou para uma professora. Segundo a mãe, uma das garotas, que postaram as mensagens, jogava futsal junto com a adolescente agredida. “A minha filha sempre se destacou na parte de esportes e tinha boas notas, era sempre elogiada. Talvez isso pode ter gerado um pouco de ciúmes”, especulou a mãe na tentativa de achar um motivo para as agressões contra a filha.
“Chamamos os pais e foi feita uma reunião com a direção da escola. Tudo registrado em ata e documentado. Foi esclarecido o que as meninas tinham feito e também foi sugerido que as meninas fizessem uma retratação perante os outros colegas, mas elas não aceitaram”, contou a mãe.


Como não houve retratação, a mãe decidiu levar o caso à Justiça. “Se não tem a humildade para pedir desculpas, elas tem que saber se transgredirem uma lei, vão ser punidas”, afirmou a mãe.
Os pais de duas adolescentes foram condenados a pagar R$ 15 mil de indenização para a família de uma adolescente que foi vítima de bullying. A decisão ocorreu em primeira instância em fevereiro deste ano. O advogado dos pais de uma das garotas, Edson Stadler, afirmou que vai recorrer. “Nós entendemos e respeitamos a sentença de primeiro grau, entretanto, estamos recorrendo e acreditamos que o Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná vai reformar a decisão”, declarou Stadler. O advogado dos pais da outra jovem não foi localizado pelo G1.
Na avaliação da mãe, mesmo dois anos após o ocorrido, e matriculada em outra escola, a adolescente não voltou a ser a jovem alegre e esportiva. “Ela melhorou, mas não é como antes”, lamentou a mãe. “Ela tenta praticar um pouco de esporte, mas tem dificuldade de fazer novas amizades, é insegura”, acrescentou.
A mãe contou ainda que a garota recebeu apoio da família e junto com o médico eles trabalham a situação para que a adolescente entenda que é um problema que precisa ser superado. “Não vai ser o primeiro, nem vai ser o último [problema] e exigiu um amadurecimento, mas deixou sequelas”, finalizou a mãe da jovem.
Por: 

Bibiana Dionísio Do G1 PR

A mãe da estudante que sofreu bullying em uma escola dePonta Grossa, a 115 quilômetros de Curitiba, contou que assim que soube das mensagens de cunho sexual postadas na página da filha em uma rede social achou que fosse pedofilia. “Pensei que fosse caso de pedofilia. Achei que fosse alguém que pegou a senha e estava tentando intimidar minha filha”, contou a mãe, que optou por não se identificar.
Fonte: http://g1.globo.com/parana/noticia/2012/03/pensei-que-fosse-caso-de-pedofilia-diz-mae-de-aluna-que-sofreu-bullying.html

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Com histórias reais, The Bully Project faz apelo contra bullying

The Bully Project
Dirigido pelo premiado (Sundance e Emmy) cineasta, Lee Hirsch, The Bully Project é uma bela produção cinematográfica. O documentário conta com grandes participações de pessoas cujas histórias representam, cada qual, uma faceta diferente do bullying na América.
 
The Bully Project acompanha cinco crianças e suas famílias ao longo de um ano escolar. As histórias incluem duas famílias que perderam filhos por suicídio e uma mãe preocupada com o destino de sua filha de 14 anos que foi presa depois de levar uma arma para o ônibus escolar. Com uma visão íntima dos lares, das salas de aula, dos refeitórios e dos escritórios dos diretores, o filme oferece uma visão muitas vezes cruel da vida de crianças maltratadas.
 
Como professores, administradores, pais e filhos lutam para encontrar respostas. The Bully Project examina as conseqüências terríveis do bullying através do testemunho de uma juventude forte e corajosa. Através do poder de suas histórias, o filme pretende ser um catalisador para uma mudança na forma como lidamos com o bullying, sendo pais, professores, crianças e sociedade, como um todo.
 

Entrevista- BULLYING NAS ESCOLAS

CARTA FUNDAMENTAL 
Cléo Fante, coordenadora da mais abrangente pesquisa sobre o tema, explica os desafios para combater o problema entre alunos
O bullying é um fenômeno que não faz distinção de camadas sociais e está presente em escolas públicas e particulares do mundo inteiro. Tem características semelhantes em qualquer país, mas no Brasil tem uma particularidade: só aqui a maioria dos casos – 21% – ocorre dentro da sala de aula, e não no pátio da escola. É o que mostra a pesquisa O Bullying Escolar no Brasil, organizada pela Plan Internacional, uma ONG voltada para os direitos da infância. O estudo é o primeiro a abranger escolas de todas as regiões do País: foram ouvidos 5.168 alunos, entre 5ª e 8ª série, professores, gestores de instituições de ensino e familiares de estudantes. Responsável pela aplicação e análise dos dados da pesquisa, Cléo Fante, consultora educacional e pioneira em estudos brasileiros sobre o bullying, ressalta que tanto o aluno-vítima quanto o agressor tendem a baixar seu rendimento escolar. O primeiro porque passa a maior parte do tempo angustiado, o segundo porque se distrai mais. Nesta entrevista, a pesquisadora explica essas e outras conclusões do estudo e aborda questões que os professores precisam saber para lidar com o problema na escola.
Carta FundamentalExiste uma certa confusão sobre o que é exatamente o bullying. Como a senhora o define?
Cléo Fante: Especialistas costumam defini-lo como agressão física ou verbal de um ou mais alunos contra um mesmo colega, ocorrendo repetidamente e sem haver motivo para tal. Também é caracterizado por uma relação desigual de poder, apesar de ser praticada entre iguais, os estudantes. Se um professor pega no pé de um aluno, não é bullying. Na pesquisa, levam esse nome as ações com essas características que ocorreram ao menos três vezes durante o período letivo. Se dois alunos brigam por um motivo qualquer, não é. Se alguém é vítima de constrangimento por um ou mais alunos, várias vezes, é considerado bullying.
CF: Quando começou a haver uma preocupação no Brasil em relação ao problema?
CF: O bullying começou a ser estudado na Escandinávia, nos anos 70. O pesquisador sueco Dan Olweus, professor da Universidade de Bergen, na Noruega, organizava pesquisas para analisar o tema porque percebeu haver um alto índice de relação entre suicídios e vitimização de maus-tratos por colegas no ambiente escolar (a Finlândia, país escandinavo, registrou um massacre de aluno recente, em 2007). A partir desses estudos é que o assunto começou a ser analisado com mais intensidade em outros países. No Brasil, os primeiros estudos datam do ano 2000, e de lá para cá o assunto ganhou muita repercussão por conta de dois casos específicos, que ocorreram no intervalo de um ano. Em 2003, em Taiúva (SP), um ex-estudante de 18 anos foi até a escola onde concluiu o Ensino Médio portando uma arma. Feriu oito pessoas e cometeu suicídio. A polícia apurou que tudo ocorreu porque ele não tinha esquecido os maus-tratos que sofrera de colegas quando estudava naquela escola. Outro caso ocorreu em 2004, em Remanso (BA). Um aluno de 17 anos foi armado para a escola. Ele matou um colega e a professora de informática de quem não gostava, além de deixar outros feridos. Tudo ocorreu porque ele sofria gozações constantes dos colegas. Desde então, a repercussão na mídia aumentou muito.

A maioria dos casos de bullying no Brasil ocorre dentro da sala de aula. Foto: Ana Carolina Fernandes/Folhapress
CF: Em que o estudo da Plan difere das demais pesquisas que foram feitas sobre o tema?
CF: A diferença é a sua abrangência nacional: foram estudadas cinco escolas, cada uma de uma região específica do País, o que permite estudar o fenômeno nacionalmente. Isso nunca havia sido feito. Outra coisa é que agora foi feito em caráter exploratório. Além de convidar os envolvidos nessas escolas a preencher um questionário, houve uma fase qualitativa. Analisamos grupos de estudantes, professores, gestores de escola e pais. Também ouvimos as histórias, seus conceitos sobre o problema e as atitudes que eles costumam tomar a respeito.
CF: A pesquisa da Plan mostrou uma característica nos casos de bullying no Brasil: a maior parte dos maus-tratos ocorre dentro da sala de aula. É possível identificar a causa de tal peculiaridade?
CF: A pesquisa mostra que, no País, 21% dos casos relatados ocorreram dentro da sala de aula. Sobretudo em escolas públicas, muitas vezes os professores faltam e os alunos ficam dentro da sala sem supervisão, o que facilita a ocorrência de maus-tratos. No entanto, há também muitos casos que se dão mesmo com o professor presente. São vários os motivos para isso. Primeiro, às vezes, o professor dá aula para 50 alunos em um mesmo ambiente. É difícil monitorar todos. Mas os dados apontam que há casos de despreparo dos profissionais para lidar com a questão. Algumas vezes, os próprios professores têm uma postura um tanto agressiva em relação a um ou outro aluno, o que serve de exemplo negativo a outros estudantes. Há também professores que não percebem o bullying ou que não o diferenciam das brincadeiras comuns.
CF: Existe uma relação entre o bullying e problemas sociais enfrentados pelos estudantes?
CF: Não, o bullying, na verdade, existe desde que a escola existe. E é universal: em qualquer escola de qualquer país, desenvolvido ou não, o problema está presente. O que existe, em verdade, é uma desconfiança entre pais e escola. Um põe a culpa no outro: pais de alunos costumam achar que o problema está na escola, que não tem autoridade suficiente e não sabe lidar com os alunos. Já professores e escolas pensam que o problema vem de casa, que o aluno traz seus problemas para o ambiente escolar.
CF: Como a escola deve tratar os alunos agressores?
CF: Chamar os pais dos alunos que mais têm relação com os maus-tratos para conversar é uma ideia. Também existem escolas que dão palestras a respeito. Quando os pais são atuantes junto à escola, este problema tende a atenuar. Mas nem sempre os pais participam dessas conversas.
CF: Além dos problemas emocionais, a pesquisa mostra que existe relação entre sofrer maus-tratos na escola e mau desempenho?
CF: Sem dúvida, tanto no desempenho da vítima quanto do agressor. A vítima passa o tempo todo angustiada, pensando o que pode acontecer e quando vai ouvir xingamentos novamente. Quanto ao agressor, ele passa muito tempo distraído praticando o ato. Isso pode até gerar casos mais graves, como estudantes que deixam a escola porque, na cabeça dele, a instituição está associada a maus-tratos.
CF: Existe alguma fase da vida escolar em que o bullying é mais recorrente?
CF: Ele está presente em todos os anos, mas sua maior frequência ocorre da 5ª à 8ª série do Ensino Fundamental. Os picos são na 5ª série e, sobretudo, na 6ª série. O bullying segue presente pelo Ensino Médio, chegando até a faculdade. Mas nessas fases os alunos agressores acabam sendo repelidos com maior frequência. Os estudantes, a partir dos 15 anos, começam a priorizar várias coisas, como namorar, por exemplo, e acabam deixando de lado essa necessidade de autoafirmação em grupo. Os alunos que insistem no ato acabam sendo afastados do convívio da maioria.
CF: O que muda nos maus-tratos provocados por meninos daqueles provocados por meninas?
CF: Os meninos costumam apresentar maior frequência de atos físicos e, muitas vezes, batem e chutam. Não que isso deixe de ocorrer com as estudantes. Mas, as garotas costumam praticar atos ofensivos por meio de palavras, espalhando boatos maldosos, por exemplo.
CF: Sobre o número de alunos que viram colegas serem maltratados, a pesquisa revelou uma disparidade entre as regiões do País. No Sudeste, 47% dos estudantes declararam ter vivenciado situações assim. No Norte, este número cai para 23,7%. Que conclusões podemos tirar desta diferença?
CF: Primeiro, pode significar que, realmente, o bullying é mais comum na Região Sudeste em relação à Norte. Por outro, também deixa dúvidas sobre a definição de bullying entre os alunos. É possível que a percepção do que é um ato de violência gratuita persistente sobre um colega seja diferente entre as regiões.
CF: O bullying ganhou uma nova vertente: a das redes sociais. Como as escolas podem agir para combater a prática de maus-tratos entre colegas na internet?
CF: Esse problema existe e está cada dia mais forte. Alunos são maltratados por colegas no Orkut, Youtube etc. O agravante é que dificilmente um aluno é difamado por colegas dentro da escola. Geralmente, o cyberbullying, como é chamado, surge em casa ou nas lan houses. As escolas podem trabalhar a questão da conscientização junto aos alunos e suas famílias.
CF: Como o estudo sobre o bullying no Brasil é recente, os professores vêm sendo preparados para lidar com o problema?
CF: Apesar de recente, há cada vez mais cuidado com o tema. Há professores que incluem a discussão em suas respectivas cátedras. Há muitas palestras e workshops para os formandos e professores. Sei que a Unifran e a Unicamp, por exemplo, trabalham muito o assunto. O fato de a mídia falar bastante a respeito contribui para o conhecimento do problema. Os casos de Taiúva e Remanso levantaram muita discussão. Também existe um esforço governamental a respeito: em Santa Catarina, por exemplo, há agora uma lei que visa combater o bullying nas escolas do estado (Lei Estadual nº14.651, sancionada em janeiro de 2009, chamada de Programa de Combate ao Bullying). Cada vez mais, outros governos tomam atitudes semelhantes, o que indica uma evolução.